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 O Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, conversou com o Vitae Civilis sobre suas expectativas a respeito do desfecho da COP15.
Na sua opinião, o abismo de desconfiança sobre o processo das negociações acentuou-se com a tentativa malograda de inclusão dos EUA pelos anfitriões e alguns países europeus por meio de reuniões paralelas à conferência. Minc citou textualmente o encontro chamado pelo presidente Sarkozy em sua fala de ontem, a qual transcorreu nesta madrugada com a participação de cerca de 30 chefes de estado - e na qual foi apresentado um texto de três páginas, que faz menção aos documentos burilados pelos delegados ao longo dos últimos 10 dias aqui em Copenhagen. Segundo Minc, o texto foi colocado na mesa às duas e quarenta da madrugada e começou a ser analisado, parágrafo por parágrafo, pelos participantes – que, como ficou evidente hoje, não concordaram com o teor e o conteúdo.
A tentativa de incluir os Estados Unidos no processo de produção de um novo acordo climático já seria, na opinião de Minc, a razão para que metas tão pouco ambiciosas tenham sido anunciadas pelas nações desenvolvidas: seria a maneira de fazer frente às metas tímidas dos norte-americanos. O resultado, como todos sabemos, foi a insatisfação generalizada da opinião pública.
O fosso de confiança da opinião pública e entre os próprios presidentes é agora o principal empecilho para que a CoP15 tenha algum desfecho prático, na opinião de Minc. Ele acredita que as decisões devem ser postergadas para a CoP16, que terá obrigatoriamente uma nova presidência (do México). Essa, aliás, é a razão pela qual ele não vê clima para uma CoP15-Bis, que, pelas atuais regras, permaneceria sob a presidência da Dinamarca. Mas Minc acha que os prazos podem ser revistos, com a antecipação da CoP16 para setembro de 2010.
Minc criticou a posição dos norte-americanos ("parece que existem todos os países, os Estados Unidos, como um país separado e depois o Senado Norte-Americano. Como se os demais países não tivessem seus próprios senados!") e confirmou que o discurso de Lula foi espontâneo e improvisado.
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Segura na mão de Deus e vai!
Ao falar que acredita em Deus e, portanto, em milagres, Lula deixou claro como está o último dia da CoP15 aqui em Copenhagen: ninguém acredita que a 15ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas vá trazer algum resultado prático. Longo como o nome do encontro são os discursos e promessas dos presidentes que transcorrem na plenária há três dias! Curtos e grossos são os impasses e a falta de flexibilidade nas negociações.
O impasse já se fazia perceber nas falas do primeiro ministro dinamarquês, Rasmunssen (representante do país-anfitrião e presidente da conferência) e de Ban Ki Moon (secretário geral da ONU). Rasmussen lembrou que ricos e pobres sentirão os efeitos das mudanças climáticas. Moon passou um verdadeiro sabão em todos os chefes de estado ao pedir bom senso e comprometimento. Não sem razão: primeiro representante governamental a falar, Wen Jibao, primeiro ministro da China, fez um discurso burocrático no qual repetiu tudo o que a delegação chinesa tem declarado nestas últimas semanas, explicitando a inflexibilidade que tem marcado a postura de todos os participantes das negociações sobre clima nestes últimos 12 meses, desde a CoP14.
A polarização entre ricos e pobres sinalizada por Rasmussen veio à tona com as palavras de Lula, que denunciou o caráter golpista do encontro de chefes de estado realizado nesta madrugada a pedido de Sarkozy, cobrou ações dos países desenvolvidos e anunciou que o Brasil bancará com recursos próprios as metas de redução nas emissões. Falando de improviso, pois não era previsto discurso dele nessa seção, Lula conduziu o tema das mudanças climáticas pelo viés social, que ele domina bem, e mandou um recado firme para os Estados Unidos de Barack Obama, que falou em seguida.
Os dois discursos dialogaram entre si: Lula cobrou ação, Obama demandou transparência; Lula enfatizou que vários países menos desenvolvidos precisam de apoio financeiro, Obama respondeu que nada mais será oferecido, além do que a Hillary anunciou ontem. No cômputo final, Lula marcou gol, Obama chutou para fora.
A posição dos Estados Unidos jogou um balde de água fria nos representantes da sociedade civil que, mesmo impedidos de entrar no Bella Center, reuniram-se no centro de Copenhagen para acompanhar a sessão pela TV e vaiaram Obama ao final de sua fala. Na sala de imprensa, o silêncio explicitava a decepção. Nos corredores da CoP15, o corre-corre após o discurso de Obama para trocar figurinhas sinalizava a falta de referenciais.
Uma piada que circula entre os brasileiros que estão acompanhando a conferência de seu epicentro diz que a melô do evento é “Segura na mão de Deus e vai”. Tudo indica que a partir de agora o desfecho da CoP15 é uma questão de fé. Amém.
Por Silvia Dias / Vitae Civilis
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